
“Com organização e tempo, acha-se o segredo de fazer tudo e bem feito.”
– Pitágoras
Seu estagiário não te escuta?

PRINCIPAIS TÓPICOS
- Por que eu preciso contratar?
- O que é um bom estagiário?
- Importância da descrição da vaga
- Não escolher apenas pelo currículo
- O porquê de formalizar
- Como preparar a primeira semana
AVISO: Esse e-mail foi baseado no que vocês falaram!
Dessa vez, a sugestão veio da Irmã Gisele, que me disse:

Quer que sua ideia seja colocada aqui?
É só ir até o final do blog que tenho um link para você fazer essas sugestões!

Faaala, advogado!
Você contrata um estagiário para ajudar o escritório a andar mais rápido.
A ideia é boa. Afinal, tem processo para acompanhar, pesquisa para fazer, documento para organizar, peça para revisar, cliente para atender e uma pilha de tarefas que não pode continuar concentrada em você.
Só que, na correria, o combinado fica solto.
Ninguém registra exatamente qual será a jornada. As atividades mudam sem uma progressão clara. O estagiário não sabe até onde pode ir. Você não deixa documentado como funciona o sigilo, quem supervisiona o atendimento ou o que deve ser comunicado imediatamente.
Quando percebe, o que deveria ser uma oportunidade de aprendizagem começa a gerar retrabalho, insegurança e mais perguntas na sua mesa.
Você precisa parar para explicar a mesma tarefa várias vezes. O estagiário fica com receio de tomar qualquer decisão. E você continua sendo o ponto de validação de tudo, mesmo tendo contratado alguém justamente para ganhar fôlego na operação.
Aí vem aquela sensação pesada: “Eu queria delegar, mas talvez seja mais rápido fazer tudo sozinho.”
Se eu começasse do zero hoje e fosse contratar meu primeiro estagiário, faria assim:

1. Primeiro, eu entenderia por que preciso contratar
Eu não abriria uma vaga apenas porque estou cansado ou porque “todo escritório precisa de um estagiário”. Antes, observaria a rotina por alguns dias e anotaria tudo o que ocupa meu tempo.
Quais tarefas se repetem? Quais atividades ficam paradas quando surge uma urgência? O que eu faço que outra pessoa poderia aprender com supervisão? Onde estão os atrasos: na pesquisa, na organização dos documentos, no acompanhamento dos processos, no atendimento ou na preparação das peças?
Essa lista ajuda a separar duas coisas diferentes.
A primeira é uma tarefa que pode ser ensinada a um estudante. A segunda é uma decisão que continua sendo responsabilidade do advogado e não deve ser simplesmente repassada para alguém sem preparo ou supervisão.
Por exemplo: um estagiário pode ajudar a localizar informações, organizar documentos, acompanhar movimentações, pesquisar legislação, doutrina e jurisprudência e preparar um primeiro levantamento para revisão. Mas o escritório precisa definir quem confere o resultado, quem conversa com o cliente e quem toma a decisão jurídica.
Se você não sabe responder que problema a contratação deve resolver, ainda não está pronto para anunciar a vaga. Está apenas procurando alguém para ocupar a sua sobrecarga.

2. Depois, eu definiria o que é um “bom estagiário” para aquela vaga
Um bom estagiário não é o estudante que sabe tudo. Se ele já soubesse fazer tudo sem orientação, provavelmente não estaria entrando em um estágio para aprender.
Para uma vaga, um bom estagiário pode ser alguém organizado, que registra o que precisa fazer e não deixa uma tarefa desaparecer. Para outra, pode ser alguém com boa escrita e interesse em pesquisa. Em uma terceira, pode ser alguém comunicativo, cuidadoso com informações e capaz de lidar com atendimento sempre sob supervisão.
Por isso, eu escolheria de três a cinco características realmente importantes para a função.
Por exemplo:
- atenção a detalhes;
- capacidade de cumprir prazos;
- clareza na comunicação;
- vontade de aprender;
- facilidade para pesquisar;
- responsabilidade com informações sigilosas;
- organização para registrar tarefas e dúvidas.
O erro é colocar quinze exigências na vaga e depois não observar nenhuma delas de verdade. O melhor caminho é escolher poucas características, explicar o que elas significam na prática e avaliar todos os candidatos pelos mesmos critérios.

3. Eu escreveria a descrição da vaga antes de conversar com os candidatos
A descrição da vaga não serve apenas para atrair estudantes. Ela também serve para alinhar expectativas antes que alguém entre no escritório.
Eu explicaria qual é a área de atuação, quais atividades farão parte da rotina, qual será a jornada, onde o estágio acontecerá, quem fará a supervisão, quais conhecimentos ajudam e o que o estudante poderá aprender.
Também deixaria claro o que a vaga não é.
Se o estagiário não será responsável por atender sozinho um cliente, eu não criaria essa expectativa. Se não fará peças complexas no começo, eu não prometeria isso como se fosse acontecer na primeira semana. Se haverá tarefas administrativas além das jurídicas, eu explicaria desde o início.
Uma vaga clara evita dois problemas. O primeiro é o candidato aceitar algo imaginando uma rotina completamente diferente. O segundo é o escritório contratar alguém que não tem interesse nas atividades que realmente precisam ser executadas.
Uma descrição simples poderia responder:
O que a pessoa fará? Acompanhar processos, organizar documentos, realizar pesquisas, auxiliar na preparação de peças e participar de reuniões quando for adequado e supervisionado. Para que fará? Para ajudar o escritório a manter informações organizadas e apoiar a equipe jurídica. Como será acompanhada? Terá um responsável para orientar, revisar e dar feedback. O que se espera? Cumprimento de horários e prazos, disposição para aprender, cuidado com o sigilo e comunicação quando houver dúvida.
Perceba que isso é muito mais útil do que escrever apenas “procura-se estagiário proativo”.

4. Eu não escolheria apenas pelo currículo
O currículo é um ponto de partida, não uma prova de que a contratação dará certo.
Um estudante pode ter muitas atividades no currículo e não combinar com a rotina do seu escritório. Outro pode ter pouca experiência, mas demonstrar organização, humildade para perguntar e rapidez para aprender.
Na primeira conversa, eu tentaria entender como a pessoa pensa e trabalha. Perguntaria:
- Como você organiza uma tarefa que tem prazo?
- O que você faz quando recebe uma instrução que não entendeu?
- Conte uma situação em que precisou aprender algo novo rapidamente.
- Como você confere se o seu trabalho está correto?
- O que você espera aprender neste estágio?
- Como você pretende conciliar estágio, faculdade e provas?
Não existe resposta perfeita para todas essas perguntas. O objetivo é descobrir se o candidato consegue explicar seu raciocínio, se reconhece quando precisa de ajuda e se tem expectativas compatíveis com o que o escritório pode oferecer.
Eu também observaria algo simples: o candidato chega preparado, presta atenção, faz perguntas e cumpre o combinado para a entrevista? Esses sinais não decidem sozinhos, mas ajudam a enxergar hábitos que o currículo não mostra.
A entrevista mostra como a pessoa fala. Uma atividade curta mostra como ela organiza uma tarefa.
Eu poderia entregar um texto público e pedir um resumo, apresentar uma situação fictícia e pedir que o candidato explicasse como pesquisaria o tema ou solicitar a organização de informações de um caso hipotético. A atividade precisa ser simples o bastante para não exigir conhecimento que não foi pedido e específica o bastante para revelar atenção, lógica e comunicação escrita.
O objetivo não é encontrar alguém que nunca cometa erros. É observar como a pessoa trabalha quando não sabe tudo.
Ela lê as instruções antes de começar? Pergunta quando falta informação? Entrega no prazo combinado? Consegue explicar o caminho que seguiu? Aceita uma correção sem tratar o feedback como uma ofensa?
Eu não usaria uma situação real com dados de clientes, processos ou documentos sigilosos. Também não transformaria a seleção em trabalho gratuito para o escritório. A avaliação deve servir para conhecer o candidato, não para produzir uma entrega que a equipe usará sem remuneração.
Muitas contratações dão errado porque o escritório fala apenas do valor da bolsa e da data de início. Só que o estudante também precisa saber como será o dia a dia.
Eu explicaria quem será o responsável direto. Não basta dizer “você responde a todos”. O ideal é existir uma pessoa que distribui as tarefas, revisa as primeiras entregas e organiza as dúvidas.
Eu explicaria como as atividades serão passadas. Será por uma ferramenta? Por uma lista diária? Por e-mail? Em uma reunião rápida no começo do dia? Sem um canal definido, o estagiário pode receber ordens de várias pessoas e não saber o que é prioridade.
Eu explicaria como os prazos serão acompanhados. Uma tarefa não deve ser considerada entregue apenas porque foi enviada. O escritório precisa dizer se haverá revisão, onde o arquivo será salvo e como o estudante saberá que pode avançar para a próxima etapa.
Também falaria sobre horários, faculdade, provas, férias, trabalho presencial ou remoto quando aplicável, regras de comunicação e cuidado com o sigilo. Quanto mais importante for um combinado para a rotina, menos ele deve ficar subentendido.

5. Eu só assinaria depois de explicar o contrato em voz alta
A conversa é necessária, mas não deve ser a única base da contratação.
Se você nunca fez isso, pense no contrato como um mapa dos combinados essenciais. Ele identifica quem oferece o estágio, quem é o estudante, qual curso ele frequenta, qual é o período da contratação, qual será a jornada e quais atividades fazem parte da aprendizagem.
Também organiza informações como bolsa, auxílio-transporte, seguro contra acidentes pessoais, responsabilidades do escritório, deveres do estagiário, cuidado com o sigilo e condições para encerramento do estágio.
No documento, o escritório aparece como concedente, ou seja, a parte que oferece a oportunidade de estágio. O estudante aparece como estagiário. Essa distinção parece básica, mas ajuda a preencher o modelo sem deixar informações importantes para depois.
O contrato não substitui uma conversa de alinhamento, um plano de treinamento ou a supervisão. Ele é uma parte da estrutura. Serve para registrar o que foi combinado e para que o escritório e o estudante saibam quais são suas responsabilidades desde o início.
E daqui a pouquinho eu vou falar mais sobre isso… 👀

6. Eu prepararia a primeira semana em vez de simplesmente mandar a pessoa “se virar”
O primeiro dia do estagiário não deveria ser uma sequência de apresentações e, logo depois, uma lista de tarefas sem contexto.
Eu prepararia uma pequena integração. Mostraria como o escritório organiza pastas, onde ficam os modelos, qual sistema é usado, como as tarefas são registradas, quem pode receber cada tipo de dúvida e quais informações não podem sair do ambiente de trabalho.
Na primeira semana, começaria com tarefas menores e revisáveis. A ideia não é deixar o estudante sem trabalho, mas criar uma sequência em que ele consiga entender o padrão de qualidade antes de assumir atividades mais complexas.
Por exemplo: primeiro ele pode observar o fluxo, depois executar uma etapa com acompanhamento, em seguida entregar para revisão e só então repetir a tarefa com mais autonomia.
Isso reduz o risco de dois extremos. No primeiro, o estagiário fica parado porque ninguém explicou o que fazer. No segundo, ele recebe uma tarefa importante sem preparo e o advogado precisa refazer tudo às pressas.
Não é preciso transformar cada dia em uma reunião longa. Mas é importante reservar alguns minutos para perguntar o que foi feito, o que ficou pendente, onde surgiu dúvida e qual será a prioridade seguinte.
Eu faria uma conversa rápida no final da primeira semana. Perguntaria:
- O que ficou claro?
- O que ainda está confuso?
- Qual tarefa você já consegue fazer com menos ajuda?
- Onde você encontrou dificuldade?
- O que eu preciso explicar de outra maneira?
Depois, repetiria esse acompanhamento em intervalos definidos. O feedback não deve aparecer apenas quando há um erro grave. Se você só fala com o estagiário para reclamar, ele aprende a esconder dúvidas em vez de comunicá-las.
O objetivo do acompanhamento é construir autonomia com segurança. Autonomia não significa deixar a pessoa sem orientação. Significa aumentar, gradualmente, o que ela consegue fazer bem sem precisar perguntar tudo a cada cinco minutos.
Ao mesmo tempo, dar feedback não significa aceitar descuido contínuo. Se a pessoa não cumpre combinados, não comunica dificuldades ou ignora regras de sigilo e funcionamento, o escritório precisa registrar essas conversas, explicar o que deve mudar e tomar as providências cabíveis.
O importante é não esperar meses para descobrir que a relação não está funcionando.
O melhor estagiário para o seu escritório não é necessariamente o que tem mais cursos ou fala mais bonito na entrevista. É aquele que combina com a necessidade atual da operação e recebe um caminho claro para aprender, executar e evoluir.
E eu sei que, quando você já está sobrecarregado, parar para definir tudo isso pode parecer mais uma tarefa. Mas contratar bem não é apenas encontrar alguém para dividir o trabalho. É criar uma base para delegar com segurança e construir uma equipe que, aos poucos, devolva tempo para você pensar no crescimento do escritório.
Por isso, hoje eu quero te entregar um presente para organizar essa entrada: o Modelo de Contrato de Estagiário.
Para liberar o download, eu só preciso de um favorzinho: responda à nossa pesquisa rápida nesse link aqui. É jogo rápido e, assim que você finalizar, o arquivo estará disponível para você baixar:
Esse documento é um ponto de partida para alinhar a relação desde o início, sem depender de conversas espalhadas, mensagens soltas ou da memória de cada pessoa.
O material é um modelo-base. Ele precisa ser preenchido, adaptado à realidade do escritório e revisado adequadamente antes da assinatura.
📌 O que você vai encontrar no documento:
✔ A estrutura do Termo de Compromisso de Estágio, com identificação do escritório, do responsável e do estudante de Direito.
✔ A previsão de vigência, jornada e possibilidade de ajuste dos horários conforme as atividades acadêmicas do estagiário.
✔ A organização das atividades de aprendizagem, como acompanhamento de processos, redação de peças, pesquisa jurídica, análise de autos, prática forense e participação supervisionada em reuniões e atendimentos.
✔ As responsabilidades do escritório, incluindo bolsa de complementação educacional, auxílio-transporte e seguro contra acidentes pessoais, conforme preenchimento e adaptação do termo.
✔ Os deveres do estagiário, com regras sobre programação, normas internas, sigilo funcional, comunicação de irregularidades, zelo e apresentação da documentação acadêmica.
✔ Um padrão para deixar mais claro o que será ensinado, acompanhado e esperado ao longo do estágio, reduzindo improviso e retrabalho.
Baixe o modelo, preencha com cuidado e use o documento para alinhar a conversa antes de o estagiário começar.
É exatamente isso que eu vou fazer com você no Caminho para o Milhão.
Nosso evento online, nos dias 30 e 31 de Outubro e 01 de Novembro, foi criado para o advogado que quer parar de trabalhar no operacional e começar a construir uma máquina de vendas, alinhar a gestão e focar no que realmente coloca milhões no caixa.
Lá dentro, você vai aprender a montar o fluxo de gestão jurídica que eu descrevi nesse artigo, do cadastro do cliente até o protocolo, com cada etapa detalhada, cada cargo definido e cada sistema configurado. Não teoria. Prática.
Clica aqui pra participar:
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Um beeeeeijo, Euro 🚀
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