Como fazer anúncios melhores?

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“O marketing não é uma função. É todo o negócio visto do ponto de vista do cliente.”

– Peter Drucker

Como fazer anúncios melhores?

PRINCIPAIS TÓPICOS

  • O que é uma dor e por que área do Direito não é a mesma coisa que problema do cliente;
  • O que é uma tese no contexto de um escritório escalável;
  • Como transformar uma tese em uma solução organizada e repetível;
  • O que é captação e como funciona o caminho entre atenção e contratação;
  • Como usar o 30-30, o RCC e o POP para delegar sem abandonar tarefas.

AVISO: Esse e-mail foi baseado no que vocês falaram!

Dessa vez, a sugestão veio do Irmãozão Mairlon, que me disse o seguinte:

Quer que sua ideia seja colocada aqui?

É só ir até o final do blog que tenho um link para você fazer essas sugestões!

Faaala, advogado!

Em um estudo realizado pela Clio com 500 escritórios de advocacia, apenas 40% atenderam ao telefone quando um potencial cliente ligou.

E o mais grave: somente 36% conseguiram explicar com clareza como funcionava o processo e quais seriam os próximos passos.

Ou seja: muitos escritórios conseguem chamar a atenção do cliente, mas não conseguem conduzi-lo depois que ele demonstra interesse.

Não saber o que fazer depois que a captação acontece, ainda mais no começo da carreira.

É por isso que a dúvida do Mairlon é tão importante.

Captação, escala de teses e delegação não são assuntos soltos.

Eles formam uma sequência.

E, se você começa pela parte errada, pode até trazer mais clientes para dentro do escritório, mas também traz mais trabalho, mais interrupção e mais dependência do dono.

Então hoje eu quero explicar tudo desde o começo.

1. O que é uma dor?

A primeira coisa que você precisa entender é a diferença entre área do Direito e dor do cliente.

Direito de Família e Direito do Trabalho são áreas.

Mas ninguém acorda de manhã pensando:

“Estou procurando um escritório especialista em Direito de Família.”

O cliente acorda pensando:

“Meu casamento acabou. Como ficam meus filhos, minha casa e as minhas contas?”

Ou:

“Fui demitido e não recebi tudo o que deveria. Será que perdi o prazo?” 

Isso é uma dor.

Dor é o problema concreto que a pessoa está vivendo e que faz com que ela procure ajuda.

Pode ser um prejuízo financeiro, um risco, uma dúvida que impede uma decisão, um conflito que a pessoa não sabe como resolver, ou até mesmo uma situação urgente que ela não consegue enfrentar sozinha.

A dor vem antes do nome da solução jurídica.

E isso muda completamente a sua comunicação.

Quando você diz “atuamos com Direito Previdenciário”, está falando sobre você.

Quando você explica “como identificar se o cálculo do benefício considerou corretamente todo o período de contribuição”, está falando sobre uma dúvida que o cliente reconhece.

Quando você diz “somos especialistas em Direito de Família”, está apresentando uma área.

Quando você explica “o que precisa ser organizado quando um casal decide se separar e tem filhos, patrimônio e despesas em comum”, está entrando na realidade da pessoa.

Percebe a diferença?

A área, nesse caso, é uma classificação profissional, enquanto a dor é a situação que movimenta o cliente.

E a captação começa quando você consegue falar da situação do cliente com clareza.

Para encontrar uma dor de verdade, eu começaria com quatro perguntas:

O que aconteceu?

A pessoa foi demitida? Recebeu uma negativa? Descobriu uma cobrança? Está se separando? Percebeu um problema na empresa?

O que isso está causando?

Ela está perdendo dinheiro? Está sem saber o que fazer? Está com medo de tomar uma decisão errada? Está deixando um direito passar?

O que ela já tentou fazer?

Procurou o contador? Conversou com outra pessoa? Pesquisou na internet? Tentou resolver sozinha?

O que ela precisa alcançar?

Quer entender a situação? Quer corrigir um prejuízo? Quer proteger o patrimônio? Quer regularizar algo? Quer tomar uma decisão com segurança?

Essas perguntas tiram você do juridiquês e colocam você dentro da vida real de quem precisa do serviço.

E tem uma consequência importante: se você não entende a dor, pode até produzir muito conteúdo, mas vai falar com as pessoas erradas ou de uma forma que elas não reconhecem.

Seu perfil fica cheio de informação.

Mas o cliente não consegue responder à pergunta mais importante:

“Esse escritório entende o que eu estou vivendo?”

2. O que é uma tese nesse caso?

Agora vamos para a segunda palavra: tese.

No processo judicial, tese pode ser o argumento jurídico usado para defender uma determinada posição.

Mas, quando falamos em escalar teses dentro de um escritório, estamos falando de algo mais amplo do que uma frase ou uma fundamentação jurídica.

Estamos falando de organizar uma solução para uma dor que aparece de forma recorrente.

Vamos usar um exemplo simples.

A dor é:

“Fui demitido e não recebi corretamente os valores da minha rescisão.”

A tese não é apenas “entrar com uma ação trabalhista”.

A tese precisa organizar uma investigação:

  • O que aconteceu na relação de trabalho?
  • Qual era a função da pessoa?
  • Como foi o desligamento?
  • Quais valores foram pagos?
  • Quais documentos comprovam a situação?
  • Existem critérios jurídicos para o caso avançar?
  • Qual caminho pode ser seguido?

A tese é a forma organizada de analisar a dor, verificar se o caso se enquadra e conduzir a solução jurídica adequada.

Por isso, uma tese escalável precisa sair da cabeça do advogado.

Ela precisa existir em um mapa que outras pessoas consigam entender, aplicar e acompanhar.

Eu colocaria pelo menos oito elementos nesse mapa:

1. A dor que a tese resolve.

Qual é o problema concreto do cliente?

2. O perfil de cliente.

Quem costuma viver essa situação? Pessoa física? Empresa? Um grupo profissional específico? Um tipo de trabalhador?

3. Os critérios de enquadramento.

Quais fatos precisam existir para que o caso faça sentido para o escritório?

4. Os documentos necessários.

O que precisa ser enviado antes da análise? O que precisa ser conferido?

5. A análise jurídica.

Quais perguntas devem ser respondidas para avaliar o caso?

6. O caminho do serviço.

O que acontece depois da contratação? Quais são as etapas até a entrega?

7. Os responsáveis.

O que fica com o comercial, com o administrativo, com o advogado e com a supervisão?

8. Os critérios de qualidade.

Como você sabe que aquela etapa foi executada corretamente?

Isso transforma uma tese em uma solução organizada.

E aqui está um erro comum.

O advogado identifica uma tese que parece ter demanda, mas não organiza o que vem antes e depois da peça.

Ele sabe fazer a parte técnica.

Mas não definiu como o cliente será identificado, como os documentos serão recebidos, como o caso será analisado, como a equipe será treinada e como o trabalho será acompanhado.

Nesse cenário, cada novo cliente volta a depender da sua memória.

A tese pode até ser boa.

Mas o escritório não consegue atender mais pessoas com consistência.

Escalar uma tese não é copiar e colar trabalho jurídico em grande volume. É criar capacidade para resolver dores semelhantes com critério, cuidado e padrão.

3. Como transformar uma tese em uma solução repetível?

Uma tese começa a ser escalável quando você consegue responder, com clareza, a seguinte pergunta:

“Se amanhã chegarem dez casos parecidos, o que precisa acontecer em cada um deles?”

Não estou falando que todos os casos são iguais. Na advocacia, cada pessoa tem sua história, seus documentos e suas particularidades.

Mas casos semelhantes podem compartilhar uma estrutura de análise.

Você pode definir uma porta de entrada,  estabelecer quais informações são indispensáveis, criar perguntas de triagem, organizar os documentos por tipo, registrar as decisões jurídicas mais comuns,  criar modelos que reduzam o retrabalho sem eliminar a análise individual e definir em que momento um advogado mais experiente precisa revisar o caso.

Imagine uma tese relacionada a uma situação previdenciária recorrente.

A pessoa chega dizendo apenas:

“Meu benefício foi negado.”

Se você não tem processo, o advogado começa tudo do zero.

Faz perguntas diferentes, pede documentos diferentes e registra as informações em lugares diferentes.

Se você tem uma tese organizada, o primeiro atendimento já sabe quais dados precisam ser coletados.

A equipe verifica o histórico, solicita os documentos essenciais, registra a situação e encaminha o caso para a análise correta.

O advogado não deixa de pensar.

Ele passa a pensar no que realmente exige conhecimento jurídico, em vez de gastar energia procurando informação básica que poderia ter sido organizada antes.

É aqui que a tese se transforma em produto jurídico.

Não no sentido de tratar o cliente como uma mercadoria.

Mas no sentido de transformar uma solução em algo que tenha começo, meio e fim bem definidos.

O cliente precisa saber o que está contratando.

A equipe precisa saber o que precisa entregar.

O dono precisa saber quanto aquela solução exige de tempo, pessoas e recursos.

Sem isso, você não consegue avaliar a margem.

Nem consegue saber quantos casos pode atender.

E assim, fica sem decidir qual parte deve ser delegada.

Por isso, antes de anunciar uma tese, eu faria um teste operacional.

Pegaria três casos parecidos que já passaram pelo escritório e perguntaria:

  • Quais etapas se repetiram?
  • Onde o cliente mais demorou para enviar informação?
  • Onde a equipe precisou pedir ajuda?
  • Em que momento houve retrabalho?
  • Qual atividade só o dono conseguiu executar?
  • O que poderia virar um modelo, uma lista de verificação ou um procedimento?

Essa análise é o que transforma experiência em método.

4. Então, o que é captação?

Captação é o processo de fazer com que pessoas que têm uma determinada dor encontrem o seu escritório, reconheçam que você pode ajudá-las e avancem para uma conversa de contratação.

Ela não é apenas postar no Instagram, nem apenas impulsionar um anúncio.

E também não é fazer um conteúdo bonito sem saber qual próximo passo a pessoa deve dar.

A captação tem uma sequência.

Primeiro, você define a dor e o perfil da pessoa que vive aquela situação.

Depois, cria uma comunicação que fala sobre esse problema de forma compreensível.

Em seguida, oferece um próximo passo: enviar uma mensagem, baixar um material, preencher um formulário, participar de uma aula ou agendar uma conversa.

Depois disso, alguém precisa organizar o contato, entender se existe relação com a solução oferecida e encaminhar o caso.

Só então acontece a reunião de contratação.

Eu gosto de explicar a captação com uma analogia simples:

Imagine uma loja em uma rua movimentada. A fachada chama a atenção.

A vitrine mostra os produtos. A porta permite a entrada.

E alguém recebe o visitante.

E existe um processo para entender o que ele procura e mostrar o caminho adequado.

Na advocacia, o conteúdo é a fachada.

A explicação da dor é a vitrine.

O link, o formulário ou a mensagem são a porta.

O atendimento é a recepção.

A reunião é o momento em que você entende a situação, apresenta o caminho e verifica se existe uma contratação adequada.

Se você só tem fachada, o escritório pode até ser visto, mas não recebe pessoas.

Se tem fachada e porta, mas ninguém atende, o interessado entra e vai embora.

Se tem atendimento, mas ninguém registra os contatos, você perde a memória do que aconteceu.

Se tem reunião, mas não existe uma tese organizada, cada conversa começa do zero.

Por isso que eu digo: a captação é um sistema.

Ela precisa conectar comunicação, atendimento, qualificação, reunião e operação.

A diferença entre conteúdo e captação

Conteúdo é aquilo que você publica para informar, educar ou gerar conexão.

Captação é o processo que transforma essa atenção em uma oportunidade organizada.

Você pode publicar um vídeo explicando uma dor trabalhista e alcançar muitas pessoas.

Isso é comunicação.

Mas, se você apresenta um próximo passo claro, recebe o contato, registra a origem, agenda a conversa e acompanha o resultado, aí existe um processo de captação.

Um conteúdo sem caminho pode gerar visualização.

Um processo de captação gera dados para você tomar decisão.

Você passa a saber:

  • Quantas pessoas viram o conteúdo;
  • Quantas demonstraram interesse;
  • Quantas clicaram ou enviaram mensagem;
  • Quantas foram atendidas;
  • Quantas agendaram uma conversa;
  • Quantas compareceram;
  • Quantas contrataram;
  • Qual foi o valor gerado por aquele caminho.

Esses números servem para você descobrir onde está o vazamento.

Se muita gente vê o conteúdo, mas quase ninguém demonstra interesse, talvez a comunicação não esteja falando da dor certa.

Se muita gente demonstra interesse, mas poucas pessoas agendam, talvez o próximo passo esteja confuso ou o atendimento esteja lento.

Se muitas pessoas agendam, mas poucas comparecem, você precisa analisar a confirmação e a organização da agenda.

Se as reuniões acontecem, mas quase ninguém contrata, talvez a tese não esteja clara, o caso não esteja bem qualificado ou a conversa não esteja conduzindo a pessoa para uma decisão.

Se os contratos aumentam e a operação entra em colapso, o problema está na capacidade de entrega e na delegação.

Sem medir essas etapas, você fica discutindo marketing por opinião.

Com os números, você começa a enxergar o caminho.

5. O que significa escalar uma tese na prática?

Vamos juntar as partes:

A dor mostra o problema.

A tese organiza a solução.

A captação encontra as pessoas que vivem aquele problema.

A operação entrega a solução.

A delegação permite que o dono não seja o único responsável por todas as etapas.

Quando uma dessas partes está desconectada, a escala trava.

Imagine que você tem uma tese muito boa, mas ninguém sabe explicar para quem ela serve. Então você tem solução, mas não tem comunicação.

Imagine que você tem uma boa captação, mas oferece serviços diferentes para qualquer pessoa que aparece. Então você tem atenção, mas não tem foco.

Imagine que você tem uma tese clara e uma captação funcionando, mas todo atendimento depende do dono.Então você tem demanda, mas não tem capacidade.

Imagine que você tem equipe, mas não documentou o processo. Então você tem pessoas, mas não tem padrão.

Por isso, eu organizaria a jornada da tese em cinco momentos:

  1. Momento 1 — Entrada: como a pessoa chega e quais informações são coletadas.
  2. Momento 2 — Triagem: quais critérios mostram se o caso deve avançar.
  3. Momento 3 — Análise: quais documentos e perguntas orientam a avaliação jurídica.
  4. Momento 4 — Execução: quais atividades precisam ser realizadas e em qual ordem.
  5. Momento 5 — Acompanhamento: como o cliente é atualizado, como os prazos são controlados e como o resultado é monitorado.

Essa jornada pode ser desenhada em um fluxograma.

Não precisa começar com um documento enorme.

Uma folha já ajuda a enxergar o que antes ficava espalhado na sua cabeça.

O que não pode acontecer é o advogado tentar escalar uma tese sem saber como ela entra, como é analisada, como é executada e como é acompanhada.

6. Como delegar de verdade: o 30-30, o RCC e o POP

Agora chegamos à parte da dúvida do Mairlon que mais dói para o dono de escritório.

Como delegar as tarefas sem perder qualidade?

A primeira coisa é entender que delegar não é dizer:

“Cuida disso para mim.”

Isso é apenas transferir uma preocupação.

Delegar de verdade é transferir uma responsabilidade com contexto, padrão, treinamento e acompanhamento.

Se você entrega uma tarefa sem explicar o resultado esperado, a pessoa precisa adivinhar. E se ela precisa adivinhar, você vai receber algo diferente do que imaginou.

Depois vai refazer e, no final, vai concluir:

“Ninguém faz tão bem quanto eu.”

Mas muitas vezes a pessoa não recebeu uma função clara.

Ela só recebeu uma instrução incompleta e fez o que podia com isso.

Etapa 1 — O 30-30: descobrir para onde vai o seu dia

Antes de delegar, você precisa descobrir o que realmente está fazendo.

Coloque um alarme para tocar a cada 30 minutos durante uma semana de trabalho.

Quando ele tocar, anote exatamente o que você estava fazendo naquele momento.

Anote o que estava acontecendo de verdade.

Faça isso também com as pessoas-chave do escritório e no fim da semana, você terá uma fotografia da operação.

Agora use duas marcações:

Marque de amarelo as tarefas repetitivas, operacionais ou de baixo impacto estratégico.

Tipo conferir um documento, renomear um arquivo ou cadastrar uma informação.

Marque de vermelho as atividades que exigem sua posição de dono.

Como definir uma tese, criar um produto jurídico ou analisar os números do escritório.

O objetivo não é desprezar as tarefas amarelas. Elas precisam ser feitas.

A pergunta é: por que continuam sendo feitas pelo profissional que deveria estar cuidando das atividades vermelhas?

O 30-30 mostra uma coisa que a rotina esconde. Uma tarefa de poucos minutos parece pequena quando acontece uma vez.

Mas, quando se repete todos os dias, durante meses, ela ocupa o tempo que deveria ser usado para construir o futuro do escritório.

Etapa 2 — O RCC: definir o que se espera de cada cargo

Depois de identificar as tarefas amarelas, você precisa descobrir qual função deveria ser responsável por elas.

É aí que entra o RCC: Responsabilidade-Chave de Cargo.

Ele explica por que aquele cargo existe e qual resultado se espera dele.

Um RCC bem construído pode conter:

Nome do cargo e setor, a quem a pessoa se reporta, responsabilidade-chave do cargo, atividades que fazem parte da função, Metas e indicadores, Critérios de qualidade, Competências necessárias, Limites de decisão e Forma de acompanhamento.

Veja a diferença.

“ajudar no escritório” não é uma responsabilidade clara.

“Garantir que todos os novos clientes tenham seus documentos iniciais conferidos, cadastrados e encaminhados para a próxima etapa no mesmo dia útil” é muito mais claro.

“Fazer petições” é amplo demais.

“Produzir as peças definidas no fluxo da tese, seguindo o modelo aprovado, conferindo os documentos obrigatórios e entregando para revisão dentro do prazo combinado” orienta a execução.

“Cuidar do comercial” também é genérico.

“Registrar todos os contatos recebidos, confirmar os agendamentos e atualizar o status de cada oportunidade no sistema” descreve uma responsabilidade observável.

O RCC resolve uma grande parte das confusões do escritório.

A tarefa deixa de ficar sem dono, duas pessoas deixam de fazer a mesma coisa sem saber, o erro passa a ser investigado no lugar correto e a cobrança deixa de ser baseada em humor.

Você não precisa esperar ter uma grande equipe para fazer isso. Comece pelo seu próprio cargo e pelo cargo que absorverá a maior quantidade de tarefas amarelas.

Se o RCC existir apenas na sua cabeça, ele não organiza a operação.

Ele precisa ser apresentado, conversado e revisado com a pessoa responsável.

Etapa 3 — O POP: ensinar como a tarefa deve ser executada

Enquanto o RCC explica o que se espera do cargo, o POP explica como uma atividade deve ser realizada.

POP significa Procedimento Operacional Padrão.

É o documento que transforma uma rotina em um passo a passo ensinável.

Ele pode conter cinco partes:

  1. Objetivo: qual resultado a atividade precisa produzir.
  2. Responsável e recursos: quem executa, quais sistemas usa e quais informações precisa ter em mãos.
  3. Passo a passo: a ordem exata da execução.
  4. Pontos de conferência: o que precisa ser revisado antes de concluir.
  5. Registro e encaminhamento: onde a atividade é registrada, quem precisa ser avisado e qual é o próximo passo.

Pense em uma atividade simples de atendimento.

O POP pode explicar como receber o primeiro contato, quais informações registrar, quais documentos solicitar, onde salvar o histórico, como confirmar a reunião e como encaminhar o caso.

Pense em uma atividade jurídica.

O POP pode indicar quais documentos precisam ser analisados, qual modelo deve ser utilizado, quais pontos exigem atenção, quem revisa e onde a versão final deve ser arquivada.

Isso evita que a equipe perca tempo tentando descobrir o básico a cada execução.

E guarda esta frase:

Erro isolado pode ser um desvio de execução. Erro repetido sem POP é um problema de gestão.

Você também não precisa criar POP para tudo de uma vez.

Comece pelas atividades que:

  • Mais se repetem;
  • Mais geram retrabalho;
  • Mais afetam a experiência do cliente;
  • Mais consomem o tempo do dono;
  • Mais impactam o resultado financeiro.

Depois de escrever o POP, treine em três movimentos.

Primeiro, você executa e a pessoa observa.

Depois, a pessoa executa e você observa.

Por fim, a pessoa executa e você revisa apenas os pontos necessários.

É assim que o conhecimento sai da sua cabeça e começa a virar autonomia na equipe.

A ordem certa para começar

Se eu começasse um escritório do zero hoje, não começaria pelo anúncio. Nem contratando três pessoas.

Eu seguiria esta ordem:

  1. Encontraria uma dor real. – Eu entenderia o problema, as consequências e o tipo de pessoa que vive aquela situação.
  2. Organizaria uma tese. – Eu definiria a solução, os critérios, os documentos, as etapas e os limites do serviço.
  3. Testaria a operação. – Eu acompanharia alguns casos parecidos para descobrir o que se repete e o que gera retrabalho.
  4. Criaria um caminho de captação. – Eu produziria conteúdo para a dor certa, ofereceria um próximo passo e registraria o caminho até a reunião.
  5. Mediria o processo. – Eu acompanharia contatos, agendamentos, comparecimentos, contratos e capacidade de entrega.
  6. Documentaria as tarefas. – Eu transformaria as atividades repetitivas em RCCs e POPs.
  7. Delegaria por etapas.

Eu começaria pelo que é repetitivo, ensinável e importante para liberar o dono do operacional.

Essa ordem evita dois erros caros:

O primeiro é captar mais pessoas para uma operação que não consegue atender.

O segundo é contratar alguém para executar uma função que nunca foi definida.

Você pode até ser pequeno.

Pode ser só você, um sócio e um estagiário. No começo, é normal acumular funções, o que não pode é acumular confusão.

Mesmo que uma pessoa acumule dois cargos, as responsabilidades de cada cargo precisam estar claras.

Porque estrutura é o que permite crescer sem transformar cada novo contrato em uma nova emergência.

O próximo passo

A dúvida do Mairlon parece falar de três assuntos diferentes: captação de clientes, escala de teses e delegação de tarefas.

Mas, no fundo, ela fala de uma única coisa: como transformar o conhecimento do advogado em um escritório capaz de atender mais pessoas sem depender dele em cada detalhe.

A dor orienta a comunicação.

A tese organiza a solução.

A captação traz as pessoas certas.

O RCC distribui as responsabilidades.

O POP preserva o padrão.

E os indicadores mostram onde o sistema precisa melhorar.

Esses elementos não cabem em um e-mail só.

Eles precisam ser analisados de acordo com a tese, o momento, a equipe e os números do seu escritório.

E é exatamente isso que eu vou fazer com você no Caminho para o Milhão.

Nosso evento presencial em São Paulo, nos dias 30 e 31 de outubro e 01 de novembro, foi criado para o advogado que quer parar de trabalhar preso no operacional e começar a construir uma máquina de vendas, alinhar a gestão e focar no que realmente coloca milhões no caixa.

Lá dentro, você vai aprender a montar o fluxo de gestão jurídica que eu descrevi nesse artigo, do cadastro do cliente até o protocolo, com cada etapa detalhada, cada cargo definido e cada sistema configurado. Não teoria. Prática.

A oferta especial já encerrou. Mas se você ainda quer estar no Caminho para o Milhão, ainda dá tempo.

Entre na lista de espera e seja o primeiro a saber de qualquer nova condição que surgir:

Quem entrou na lista na hora certa aproveitou. Quem entrar agora, pelo menos não fica de fora do evento.

Um beeeeeijo, Euro 🚀

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